PEÇA EM DESTAQUE: GASÓMETRO

Data da notícia: 31, Julho 2020

PEÇA EM DESTAQUE: GASÓMETRO

Recentemente, demos destaque a um dos primeiros modelos de telefone utilizados no nosso país no contexto administrativo da atividade de exploração mineira no território da Batalha.

Recorde-se que esta atividade conta cem anos de uma história com avanços e retrocessos e muito marcante para a sociedade e economia locais.
As primeiras prospeções de terrenos iniciaram no final do século XIX. Em 1856, foram concebidos os direitos de exploração das minas de Alcanadas e Chão Preto a George Croft, negociante de origem inglesa, admitia-se que estas poderiam garantir uma exploração regular por mais de 500 anos.
Em 1919, foi constituída a Sociedade Mineira do Lena, Lda., que agrupou, entre 1921 e 1923, a maioria das concessões e constituiu o “Couto Mineiro do Lena”.
A empresa seria, mais tarde adquirida pela inglesaThe Match and Tobacco Timber Suplly, Co. que iniciou o mais auspicioso período de vida do Couto Mineiro. A linha de caminho-de-ferro, até então de serviço apenas da empresa, foi aberta ao público em 1927, tendo sido prolongada até às minas da Bezerra, servindo a Vila da Batalha e as minas de Alcanadas e Porto de Mós. Tendo em vista a rentabilização dos carvões por queima à boca da mina, a Match lançou a construção de uma central termo eléctrica, que entrou em pleno funcionamento em 1932 e forneceu energia à Batalha e aos concelhos vizinhos, através da sua rede privativa, até meados de 1955.
A perda de negócios da referida empresa ditou o seu encerramento e à criação da Empresa Mineira do Lena, SARL, em 1931, que, até à 2ª Guerra Mundial, enfrentou grandes dificuldades económicas.
A lavra intensificou-se durante a 2.ª Guerra Mundial para garantir o pleno funcionamento da Central Eléctrica de Porto de Mós, mas o progressivo esgotamento do carvão e a venda, em 1948, da central e da rede de alta tensão, levaram ao definitivo encerramento das minas no início dos anos 50.
A peça que apresentamos no presente número é um gasómetro, propriedade de António do Rosário Batista, antigo mineiro, objeto fundamental na exploração do minério, utilizado no interior da mina. O gasómetro, que permitia a iluminação e a realização dos trabalhos, utilizava um composto de pedras de carbureto, com cal e carbono que, em contacto com a água, produzia gás inflamável em presença do oxigénio. Uma vez introduzidas as pedras no depósito inferior, este era fechado, enroscando-se o depósito de água na parte superior. Segundo as diversas entrevistas feitas aos trabalhadores das minas, o carbureto era comprado pelos próprios mineiros.

  CONTEÚDOS ÁUDIO E VÍDEO  Língua Gestual Portuguesa:youtu.be/DMfJ-A1yAS4 Minas de Carvão: informação áudioguia: soundcloud.com/user-703797746/minas-da-batalha